A composição na mudança

Eu já me mudei muitas vezes, de casa, de cabelo, de peso… É uma condição difícil de controlar. É uma incerteza constante sobre o futuro e a insatisfação eterna com o presente. Mas tem uma coisa sobre a mudança que eu gosto muito e que às vezes eu penso que é o seu princípio ativo viciante. Na incerteza do futuro está o “se” que se pode sonhar e lutar…se tornar. Enquanto que o “se” do passado, do tipo “se eu tivesse…” é corrosivo. Este
“se” permite a mudança e a melhora. Permite a mudança de si.

Outro bicho que me morde antes destas mudanças é o da pergunta “como serei lá?” Pois sou prisioneiro de mim. Serei eu até morrer, mesmo ficando esquecido. Mas a percepção de mim por mim e pelos outros que é uma loucura maravilhosa e tensa. Pois o mesmo eu pode agradar e afastar as pessoas. Serei bem-vindo? Seilá! Mas tenho que ir para descobrir. E isso que faz valer.

Sempre que vou, eu penso na volta. Não consigo imaginar o afastamento eterno ou uma linha contínua de mudanças para um longe cada vez maior. Eu preciso voltar para contar como foi. E depois re-voltar de onde eu saí para contar como foi estar longe e como estão as coisas longe… Afinal, o mundo acontece todo ao mesmo tempo.

Quando eu decidir me mudar para a Bahia, saindo do Rio de Janeiro, senti a necessidade de fazer uma música para marcar esta transição. E com o coração lotado de sentimentos e sensações fiz essa música em Julho de 2010.

A vida na Bahia foi maravilhosa. Poucas vezes na vida estive tão resolvido comigo mesmo. Fui e me redescobri de tantas maneiras que só estando fora de minha cidade-casulo poderia ter redescoberto. De lá viajei para tantos outros lugares que é uma pena que não haja música para cada uma dessas experiências. Só sei que me entreguei e que a rede que me segurou foi das mais calorosas.

Quando eu voltei para o Rio, quatro anos depois. Eu voltava o mesmo e tão diferente. A minha fala tinha alcançado novos ritmos, meu vocabulário se enriqueceu de outras palavras e meu mundo afetivo se expandiu imensamente. Como é bom seguir mudando!

Antes de voltar ao Rio, nos meus últimos dias, no início de 2014, nasceu em mim, não a “volta”, mas o “sigo”.

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