Quando dá certo

Uma coisa é compor, outra coisa é compor com alguém. Músicos, instrumentistas, letristas, podem compartilhar de uma mesma intenção de musicar, mas os processos, tempos, referências, métodos, musas variam de forma assustadora. Não é raro tentar fazer uma música com alguém e não conseguir. As ideias podem não bater, os acordes podem não bater e até a inspiração pode ser de natureza distinta.

Uma parceria é algo tão sensível, que às vezes, até mesmo com uma grande sintonia, acontece de não dar frutos ou dar em uma canção pobre e chata.

Quando funciona é lindo demais. É algo além do domínio da técnica, além da sensibilidade… É uma fusão incontrolável. Uma sucessão de acertos que fazem sorrir. E um resultado que você jamais seria capaz de fazer sozinho.

No meu intercambio na Espanha, numa tarde em que o inverno finalmente se despedia, sentamos num gramado para nos reavermos com o sol e com as coisas do exterior. Nessa tarde, eu Gabriel Costaguta e Renato Fernandes na presença de outros amigos costuramos sorridentes o que veio a ser a “Trovoada clandestina”. Chegamos a tentar em outros dias outras músicas que não passaram de seus começos. Mas essa ficou e leva consigo um momento de grande sintonia e de uma amizade quem segue perdurando independente da distância. Fica aqui meu abraço à Bahia e ao Rio Grande do Sul e todo esse Brasil que nos envolta.

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Vivendo com um eu ansioso.

Talvez por um sinal dos tempos, pela velocidade da internet, pelos cortes rápidos dos videoclipes ou por todo o fastfood que eu comi desde criança, sou assim, ansioso. O coração vive na garganta, a perna vive nervosa e muitas situações são desconfortáveis sem razão aparente, tanto na rua quanto em casa. Dificilmente encontro a calma e a tranquilidade. É preciso um autocontrole constante, exaustivo. A ansiedade é uma portinha para a depressão, pois ela vai te tirando de várias atividades, te afastando das pessoas, dos livros, de tudo que pode ser duradouro, processual e gostoso. Ficar deitado querendo fazer tudo, mas sem força para levantar é normal. O pior é que isso pode ser uma normalidade do mundo, esse pode ser o mal-estar defaut da civilização. O que muda é como lidamos com esses tormentos. Eu vou levando. Tem dias que, absolutamente sem explicação, consigo me sentir bem. Não é duradouro. Pode ser algo de horinhas. No máximo alguns dias. Mas é maravilhoso. São minutos que valem a pena serem esperados para serem vividos. Um dia eu estava tentando compor uma música depois de um bom tempo sem nem pegar no violão. Por sorte, pude viver essa virada de humor no meio da composição. O resultado foi essa música aqui, que não me cansa de fazer sorrir.

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Essas parcerias inusitadas da vida

Cada um cria de uma forma. Para mim o isolamento sempre foi uma ótima companhia, até mesmo para criar em momentos felizes. Ao longo dos anos pude compor algumas músicas em parceria, como “Trovoada clandestina” e “Pôr do sol 6 da tarde”, que guardo tremendo apresso e carinho, tanto pela canção quanto pela companhia e o processo. Mas tem uma música em particular que teve um gênese que equilibrou esse isolamento/parceira de uma forma que foi inédito e muito proveitoso. Tive acesso à poesia de Tito Tortori e pude cavucar entre suas construções, livremente, em busca de versos para o som. Eu, que normalmente sou letrista, me vi diante desse outro universo da musificação do poema alheio, onde a entonação é determinista quanto à intenção.

Confesso que o processo foi maravilhoso e que não me contive em encaixar um refrãozinho. Só sei que o Tito curtiu, eu curti, e essa música tem sido uma das mais escutadas do meu soundcloud! Eu me pergunto quem são essas pessoas que escutam essa música, como elas encontraram, o que elas comem, por onde elas andam, mas no fundo sou apenas grato por ter uma música organicamente ouvida por esse povo das internets.

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A composição na mudança

Eu já me mudei muitas vezes, de casa, de cabelo, de peso… É uma condição difícil de controlar. É uma incerteza constante sobre o futuro e a insatisfação eterna com o presente. Mas tem uma coisa sobre a mudança que eu gosto muito e que às vezes eu penso que é o seu princípio ativo viciante. Na incerteza do futuro está o “se” que se pode sonhar e lutar…se tornar. Enquanto que o “se” do passado, do tipo “se eu tivesse…” é corrosivo. Este
“se” permite a mudança e a melhora. Permite a mudança de si.

Outro bicho que me morde antes destas mudanças é o da pergunta “como serei lá?” Pois sou prisioneiro de mim. Serei eu até morrer, mesmo ficando esquecido. Mas a percepção de mim por mim e pelos outros que é uma loucura maravilhosa e tensa. Pois o mesmo eu pode agradar e afastar as pessoas. Serei bem-vindo? Seilá! Mas tenho que ir para descobrir. E isso que faz valer.

Sempre que vou, eu penso na volta. Não consigo imaginar o afastamento eterno ou uma linha contínua de mudanças para um longe cada vez maior. Eu preciso voltar para contar como foi. E depois re-voltar de onde eu saí para contar como foi estar longe e como estão as coisas longe… Afinal, o mundo acontece todo ao mesmo tempo.

Quando eu decidir me mudar para a Bahia, saindo do Rio de Janeiro, senti a necessidade de fazer uma música para marcar esta transição. E com o coração lotado de sentimentos e sensações fiz essa música em Julho de 2010.

A vida na Bahia foi maravilhosa. Poucas vezes na vida estive tão resolvido comigo mesmo. Fui e me redescobri de tantas maneiras que só estando fora de minha cidade-casulo poderia ter redescoberto. De lá viajei para tantos outros lugares que é uma pena que não haja música para cada uma dessas experiências. Só sei que me entreguei e que a rede que me segurou foi das mais calorosas.

Quando eu voltei para o Rio, quatro anos depois. Eu voltava o mesmo e tão diferente. A minha fala tinha alcançado novos ritmos, meu vocabulário se enriqueceu de outras palavras e meu mundo afetivo se expandiu imensamente. Como é bom seguir mudando!

Antes de voltar ao Rio, nos meus últimos dias, no início de 2014, nasceu em mim, não a “volta”, mas o “sigo”.

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Novas apresentações por Salvador

Salve Salvador! Dias 22 e 25 desse mês farei uma participação especial no show de Tuzé de Abreu no Teatro Gamboa Nova as 20h e no Dominicaos #10 No café da Walter as 16:30.
Levarei os EPs para quem quiser. Lembrando que ele é R$10.

Quem vai levanta a mão!

Tuzé

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As delicias de um Novo (e primeiro) EP

Essas boas surpresas da vida vão aparecendo! Ontem foi o primeiro show de pré-lançamento do EP “A realidade difusa do cotidiano” na versão soteropolitana da banda com a presença fundamental de Heitor Dantas e com a parceria diária de Tomas Gonzaga. Uma noite maravilhosa! Em breve mais novidades por aí! 🙂
Este EP foi produzido por Heitor Dantas e Zuza Caitano entre 2013 e 2014 e contém as faixas Quanta notícia, Abraxas, Solto e Pôr do Sol 6 da Tarde. Cada música apresenta sua própria textura, mas o conjunto se mostra uno quando relacionado. Entre o céu e a terra, o sagrado e o profano, o corriqueiro e o excepcional, está a realidade difusa do cotidiano.
Escute ou compre no bandcamp
http://thiagodavid.bandcamp.com/album/a-realidade-difusa-do-cotidiano

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Tocando na Feira do empreendedor

Tocar para um público de feira é um desafio a parte. As pessoas te pegam de relance. Num minuto de distração, quando param para comer ou até esperando alguém. E como o único ali no palco, tocando para todas essas pessoas, que ainda não tem nenhum vínculo comigo, meu papel foi além de só executar, mas também de envolver. Só sei que no final do show tive a alegria de ser recebido por algumas pessoas que gostaram muito do show e estão querendo mais. Então eu tive que dizer que em 2014 muita coisa legal (de estúdio) vai sair!

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Feira do Empreendedor Thiago David

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